Ressecamento da pele em idosos

Estudos epidemiológicos relatam uma prevalência de 30 a 75% de ressecamento cutâneo em idosos. São vários os fatores que contribuem para a pele ressecada do idoso, alguns inerentes ao envelhecimento cutâneo e outros associados à comorbidades dessa faixa etária.

A pele seca no idoso é resultado, principalmente, da diminuição do conteúdo de água do estrato córneo, redução da camada bilamelar lipídica do estrato córneo e da diminuição da função das glândulas sebáceas e sudoríparas. Além disso, alterações hormonais, doenças sistêmicas como alterações da tireoide, insuficiência renal, insuficiência cardíaca, desnutrição, hábitos inadequados e agressões externas e climáticas contribuem para a perda de água, tornando a pele mais seca e desprotegida.

O ressecamento, aliado às outras alterações histológicas presentes no envelhecimento, contribui para que a pele não exerça sua função de barreira de forma eficiente e com isso se apresente mais frágil, como porta de entrada para infecção e predisposta à coceira. Portanto, pele seca é pele desprotegida, sem eficiência na sua função de barreira e é pele que coça.

Muitas vezes a coceira nessa faixa etária não é apenas um problema ocasional. Pode se apresentar como uma doença crônica com efeitos debilitantes, prejudicando o sono, a estabilidade emocional e tendo reflexo significante na qualidade de vida. Quando o grau de ressecamento é intenso, é muito comum o idoso apresentar, principalmente nas pernas, um aspecto craquelado da pele.

Muito mais do que simplesmente corrigir o ressecamento, o importante é restaurar a função barreira da pele. O primeiro passo é mudar os hábitos de proteção solar, limpeza e hidratação da pele. O uso de um sabonete adequado é tão importante quanto o de hidratantes. Além disso, nos idosos é sempre importante lembrar que o banho não deve ser muito quente e nem demorado, hábitos que pioram a função barreira da pele.

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